Barragens

Para os perdidos

Se você estava no Brasil em janeiro de 2019 não tem como não ter ouvido falar sobre o rompimento da barragem em Brumadinho. Provavelmente viu na televisão a imagem do mar de lama que destruiu tudo por onde passou. Viu pessoas sendo regatadas e tantas outras procurando seus amigos e parentes. E viu a lama chegando ao Rio Paraopeba, parte da bacia do Rio São Francisco.

O que você pode não lembrar é que em 2015, menos de 4 anos antes, também houve o rompimento de uma barragem em Mariana (MG). Na ocasião, milhões de metros cúbicos de dejetos oriundos da mineração de ferro arrasaram mais de 500 quilômetros da bacia do Rio Doce. A barragem era controladas pela Samarco, um empreendimento conjunto das maiores empresas de mineração do mundo: a brasileira Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton.

Os vazamentos de Mariana e Brumadinho estão entre os maiores do planeta. Segundo ambientalistas, seus impactos vão ser sentidos por pelo menos mais cem anos. Além das mortes e do efeito dos rejeitos no mar, moradores das regiões atingidas sofrem com doenças psiquiátricas adquiridas com o trauma da tragédia e com as crises econômicas provocadas pelos eventos. Muitos perderam suas casas e trabalhos, por exemplo.

É importante lembrar que além das barragens de mineração, existem barragens utilizadas para geração de energia hidrelétrica, irrigação, uso industrial, contenção de cheias e abastecimento de água. Segundo o Relatório de Segurança de Barragens (RSB), elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA), em 2019 foram relatados 12 acidentes e 58 incidentes com barragens em 15 diferentes estados. A segurança de barragens esbarra em uma legislação frágil e na falta de fiscalização.

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