Racismo

Para os perdidos

A Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, tratado internacional de direitos humanos adotado pela Assembleia das Nações Unidas, define discriminação racial como “toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto ou resultado anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício em um mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública”.

No Brasil o racismo tem sua origem entre os séculos XVI e XIX, com a chegada de 5 milhões de africanos traficados pelos portugueses. Com a abolição da escravatura, em 1888, a população negra se tornou livre. Porém, passou a sofrer preconceito, sendo diminuída e discriminadas por sua cor. Reconhecendo esta situação, em 1989 surgiu uma lei que define e pune, de formas distintas, os crimes de racismo e injúria racial.
Atualmente, negros e as negras correspondem à maioria da população brasileira, mas estão em desvantagem social. Eles sofrem com uma desproporção de representatividade em diferentes setores, como nos ambientes acadêmicos, econômicos, políticos e jurídicos. Os negros só são protagonistas em índices negativos, sendo a maioria dos analfabetos, dos pobres, da população carcerária, dos desempregados, dos assassinados. Para a Organização das Nações Unidas, isso mostra que o racismo no Brasil é “estrutural e institucionalizado” e “permeia todas as áreas da vida”.

Negritude e racismo são temas presentes no livro “Negro – Cruz e Sousa”, organizado pela professora e pesquisadora Zilma Gesser Nunes, e presente na lista do vestibular UFSC/2021. A obra é um conjunto de textos nos quais o poeta simbolista exprime sua condição de negro e a consciência da negritude.

João da Cruz e Sousa (1861-1898) foi um renomado poeta catarinense que, com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. Filho de escravos alforriados, teve a oportunidade de receber uma educação refinada por estar sob tutela de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa. Engajou-se na campanha abolicionista. Em 2019 foi inaugurado, no centro de Florianópolis, um mural de 30 metros, pintado em sua homenagem.

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